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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
...sim! acho que mesmo que a vida corresse naturalmente, ainda assim eu iria na contra mão, eu quereria, é por gosto mesmo, é muito sem graça ir com todos... Desci num outro ponto, meio despovoado. - Você gosta de melancia? Acho que ela não gosta, senão não me olhava com aquela cara de abacate, nossa é muito difícil começar um diálogo, acho que deveria começar pelo começo... o que há de errado? - Estive indo no mesmo ônibus que todos, aí desci. Não queria aquele destino. Acho que isso também não... Também acho isso tudo muito chato. Não me interessa mesmo saber se ela gosta de melancia ou se simplesmente não lhe atrai, eu mesma não gosto, acho muito sem sal, meio desprovida de sabor, é bonito gostar de Melancia, mas não gosto! ...nem se preocupou em virar para ouvir minhas observações, estava meio embebida com alguma coisa junto aos seus trapos, não estava esperando nenhum ônibus, nem se afligia com o tempo: não tinha relógio. Nem parecia tá preocupada com alguém em casa, ou nem tinha ninguém NEM casa... será que esse ônibus vai demorar?
Neuma Queiroz
terça-feira, 12 de abril de 2011
Não sou alegre, não sou triste.
Eu riria de tudo e todos. Faria piadas. Brincaria. Sorriria passando a máxima verdade. E os faço. Interpretar nem sempre é um prazer, é necessário. Interpretar também cansa e dói. Eu sei que a vida é boa, mas acontece que eu tenho faltas. E por essas faltas, não suportei e, anteontem ou ontem, não sei, morri e ninguém soube, ninguém sabe.
terça-feira, 29 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é.
Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto,
talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma
distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo.
Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto,
talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma
distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo.
Caio Fernando Abreu
domingo, 21 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas hoje não encontraram pedra, encontraram flor e eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos)
Ah. Porque eu sou tímida.
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas hoje não encontraram pedra, encontraram flor e eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos)
Ah. Porque eu sou tímida.
Clarice Lispector
terça-feira, 9 de março de 2010
... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.
Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito,
mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.
Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito,
mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
Clarice Lispector
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
"Ela o amava. Ele a amava também. E ainda, que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo."
sábado, 20 de fevereiro de 2010
INSTANTES
Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade,
bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria
mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria
mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas
reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar atrás, trataria de ter
somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos;
não perca o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um paraquedas.
Se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo
da primavera a continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.
Nadine Stair
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade,
bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria
mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria
mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas
reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar atrás, trataria de ter
somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos;
não perca o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um paraquedas.
Se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo
da primavera a continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.
Nadine Stair
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
-----um bom poema
leva anos
-----cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
-----seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
-----sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
-----três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
-----uma eternidade, eu e você,
caminhando junto.
Paulo Leminski
leva anos
-----cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
-----seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
-----sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
-----três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
-----uma eternidade, eu e você,
caminhando junto.
Paulo Leminski
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Promessa
Eu prometi
Não fazer mais poemas de amor
Nada lembrasse dor ou calor
Nem primaveras, nem Veras primas
Sem outonos, nem verões
Nada que lembrasse a melancolia dos olhos
Nem a loucura dos insanos
Nada que lembrasse a ilusão
Nem os versos de Alves, Drummond, Neruda ...
Sim, eu prometi
Nada que lembrasse promessas rompidas
Nem os sonetos de Byron
Nada que lembrasse dedos num violão
Nem as cartas apaixonadas de um amante saudoso
Nada que fizesse viver a alma
Nem trouxesse de volta o luar
Ah, eu prometi.
Não fazer mais poemas de amor
Nada lembrasse dor ou calor
Nem primaveras, nem Veras primas
Sem outonos, nem verões
Nada que lembrasse a melancolia dos olhos
Nem a loucura dos insanos
Nada que lembrasse a ilusão
Nem os versos de Alves, Drummond, Neruda ...
Sim, eu prometi
Nada que lembrasse promessas rompidas
Nem os sonetos de Byron
Nada que lembrasse dedos num violão
Nem as cartas apaixonadas de um amante saudoso
Nada que fizesse viver a alma
Nem trouxesse de volta o luar
Ah, eu prometi.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
Clarice Lispector
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
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